Ficha de referência cultural
Bloco Siriricando, no carnaval de 2019, reunindo diversos foliões na região do Arouche. Fonte: Bloco Siriricando, reprodução Instagram.
Os blocos LGBTQIA+ são grupos de pessoas LGBTQIA+ que, em sua grande maioria, nasceram com intuito
de levar protagonismo e representatividade para o Carnaval de Rua. Os blocos são manifestações
culturais de entretenimento, promoção de lazer e representatividade para a comunidade LGBTQIA+.
Atualmente, além do carnaval, alguns blocos se apresentam em diversos momentos, como as paradas
LGBTQIA+ e atividades culturais de rua voltados para a manifestação do orgulho. Cada bloco possui
sua forma de organização e estilos musicais, alguns são voltados para uma identidade específica,
como o bloco Siriricando que foi criado por mulheres lésbicas e hoje dá a mulheres lésbicas e
bissexuais. Entre uma mistura de folia e comemoração, os blocos LGBTQIA+ se apresentam para além de
uma alternativa de entretenimento, tratam-se de atos de resistência às opressões diárias, do culto a
presença dos corpos dissidentes à normatividade, da luta política que se estabelece no viver.
Os blocos LGBTQIA+ que desfilam na região do Arouche trazem consigo a representatividade tanto do
público quanto da territorialidade de e para a população LGBTQIA+. Em geral, todos os blocos
LGBTQIA+ desfilam no Carnaval de Rua percorrem as proximidades do Largo do Arouche. O itinerário dos
blocos varia dependendo do tamanho do público estimado e do planejamento da prefeitura de São Paulo.
A rotatória do Arouche é o principal ponto dos blocos que circulam na região que seguem seus
roteiros para outros pontos importantes do centro da cidade, como Avenida Ipiranga, Praça da
República, Avenida Consolação, Praça Roosevelt, Largo do Anhangabaú, São Bento e outros. Abaixo
apresentamos alguns itinerários coletados do carnaval de rua de 2019.
Banda do Fuxico: Rua Doutor Vieira de Carvalho, Praça da República, Rua São Luiz, Rua Xavier
de
Toledo, Praça Ramos de Azevedo, Teatro Municipal, Largo Paissandu, Avenida São João, Avenida
Ipiranga, Igreja da Consolação, Rua da Consolação, Rua Rego Freitas, finalizando no Largo do
Arouche.
Bloco da diversidade: Largo do Arouche, Av. Vieira de Carvalho, Praça da República, Av. São
Luiz,
Rua Coronel Xavier de Toledo, Rua Conselheiro Crispiniano, Av. São João, Av. Ipiranga, Praça da
República, Av. Vieira de Carvalho e retorno ao Largo do Arouche.
Bloco Salete Campari: Rua Augusta, esquina com a rua Matias Aires até a rua Álvaro de
Carvalho,
dispersão: Rua Álvaro de Carvalho, embaixo do viaduto;
Bloco Pabllo Vittar: Avenida Tiradentes, 567 a 125. Dispersão: Praça da Luz;
Bloco Siriricando:Rua Santa Isabel, Rua Rego Freitas, Largo do Arouche, Rua do Arouche, Rua
Aurora.
Bloco Banda Redonda: Rua Dr. Teodoro Baima, 98, em frente ao Teatro de Arena, Rua da
Consolação, Rua
Xavier de Toledo, Parada na escadaria do Teatro Municipal, Rua Conselheiro Crispiniano, Av. São
João, Dispersão: Rua Doutor Teodoro Baima, 98, Bloco do Vermelho - Não há informações.
A resistência política se dá a partir da utilização do espaço público que, no caso da região do
Arouche recebe historicamente em seu cotidiano pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade. Com
a presença dos Blocos LGBTQIA+ o espaço público, muitas vezes opressivo, transformam-se em espaço
seguro para expressões de corpos dissidentes à normatividade sexual e de gênero impostos pela
sociedade. Isso ocorre, por meio da performance ou mesmo do usufruto de seus direitos de
divertimento e lazer. Os Blocos LGBTQIA+ exaltando assim uma cultura que não é vista sempre nas
grandes mídias e, segue sendo condenada por boa parte da sociedade. Entre os blocos existentes,
destacamos a seguir a Banda do Fuxico, Bloco da Salete Campari, Bloco da Diversidade, Bloco
Siriricando, Bloco Pabllo Vittar, Bloco da Redonda, Bloco Vermelho e Bloco Minhoqueens.
Banda Fuxico: Tradicional e popular bloco LGBTQIA+ de São Paulo. Fundada há 21 anos, a ong
Banda do
Fuxico surge com o objetivo de promover a inclusão social, cultural, educacional, recreativo e
esportivo da população LGBTQIA+. Desde então, realiza o tradicional bloco carnavalesco que atrai
milhares de pessoas todos os anos ao centro da cidade. O desfile ocorre sempre um domingo antes do
carnaval oficial, no período de pré- carnaval, onde a concentração ocorre no Largo do Arouche e
depois percorre pelas ruas do centro da cidade. Dentro deste projeto também é realizado um dia de
ação solidária e cultural que, além de proporcionar a alegria através das manifestações
carnavalescas de rua, ao mesmo tempo abre a oportunidade de orientação jurídica e atendimento social
para retificação e regulamentação de documentos, orientação e distribuição de preservativo interno
ou externo à comunidade LGBTQIA+.
Bloco Salete Campari: Formado por Salete Campari, que tem 37 anos de carreira e é uma das
principais
drags do Brasil. O Bloco da Salete Campari é o principal carro de som da Parada LGBTQIA+ e possui um
grande bloco carnavalesco que acontece no Largo do Arouche que comemorou seu quarto carnaval em
2020. Salete também é militante, atriz e agitadora cultural, possui uma trajetória de grandes
destaques e participou de diversos eventos, como exemplo esteve presente nas primeiras articulações
para a realização da 1ª Parada do Orgulho LGBT. No carnaval de 2019, Salete reuniu cerca de 80 mil
foliões. Com um público majoritário LGBTQIA+, a drag traz entretenimento, lazer, cultura e diversão
trazendo convidados historicamente importantes e memoráveis para a comunidade.
O Lady Fama: Bloco carnavalesco do empresário e produtor cultural Reynaldo Neves, que é a
drag Lady
Fama. O bloco possui esse nome em homenagem à personagem de Reynaldo e também possui relação com seu
bar no Largo do Arouche, chamado Bar Fama, famoso na reunião como um dos pontos de pegação da
população gay frequentadora da região. A drag Lady Fama também é convidada para diversos eventos e
possui uma grande representatividade para a comunidade LGBTQIA+. O bloco circula no Largo do
Arouche.
Bloco da Diversidade: Bloco organizado pela Associação da Parada do Orgulho GLBT de São
Paulo-APOGLBT/SP, (ONG responsável pela maior Parada do mundo). Em 2014, com a proposta de levar o
público LGBTQIA+ para o carnaval de rua de São Paulo, a APOGLBT criou o Bloco da Diversidade, a
partir da constatação de que mesmo em época de celebração, ainda existe preconceito e exclusão. O
Bloco da Diversidade tem a proposta de reproduzir todos os ritmos com o intuito de apresentar a
diversidade musical e que essa diversidade é representativa de nossas diferenças.
Bloco Siriricando: O Bloco é organizado por mulheres e surgiu de um grupo de amigas lésbicas
que
foram ao carnaval de rua e notaram a falta de visibilidade. Assim, o bloco tem como objetivo dar
protagonismo a mulheres lésbicas e bissexuais. Nos discursos, o bloco traz questões como direito à
liberdade sexual, contra o fascismo e preconceitos, como exemplo na música Mulherada chegou pra
causar o refrão é: "Nossos direitos vamos defender/Patriarcado vamos derrubar no Carnaval" (Galvão,
2020). O trio elétrico foi custeado com financiamento coletivo e a bateria do bloco é formada por 25
mulheres lésbicas e bissexuais. A organização também participa de outros eventos como Parada
LGBTQIA+, marcha das mulheres lésbicas e bissexuais, marcha trans dentre outros, sempre levando a
pauta da representatividade e protagonismo das mulheres lésbicas e bissexuais como mote de suas
ações.
Bloco da Pabllo: Considerada a drag queen mais famosa do mundo, Pabllo Vittar possui um dos
blocos
de rua mais marcantes do carnaval paulista que reúne milhares de foliões. Pabllo traz a
representatividade em forma de comemoração e transforma as ruas de São Paulo em um lugar colorido e
cheio de liberdade. O bloco também desfila em outras cidades do Brasil e é uma das maiores atrações
do carnaval.
Bloco da Redonda: A Banda Redonda é a pioneira do Carnaval de Rua em São Paulo, conhecida
historicamente pela luta contra a ditadura (Minuano, 2019). Tem origem na Banda Bandalha, criada em
1972. A Redonda também foi uma das primeiras a destacar a comunidade LGBTQIA+ e, até hoje, a maior
parte do seu público faz parte dessa comunidade. O Bloco Banda Redonda foi criado por Carlos Costa,
Plínio Marcos, Chico de Assis, Oswaldo Mendes, Luiz Carlos Parreira, Aldo Bueno, Henrique Lisboa,
atores do Teatro de Arena, jornalistas, músicos, artistas e boêmios que frequentavam o Bar e
Restaurante Redondo. Na concentração do Bloco é entregue o Troféu Banda Redonda para personalidades
de destaque na área cultural e artística. Em 2018 foram homenageados: Associação Ilú Obá De Min, o
jornalista e escritor Oswaldo Faustino, a bailarina, coreógrafa e educadora Márika Gidali e a Peça
Navalha na Carne do grupo Cia. Teatro Garagem. (A VIDA, 2018)
Minhoqueens: Bloco da drag Mama Darling, iniciou em 2016 com um carro que tinha a intenção de
reunir
amigos no Minhocão. Em 2019, o bloco atraiu 250 mil pessoas e teve a participação de drag queens de
várias regiões do Brasil. O bloco cresceu e lotou a Praça da República e as ruas do entorno. Além do
carnaval, o Bloco organiza festas LGBTQIA+ em diferentes baladas paulistanas. Na pandemia, o
carnaval ocorreu em apresentações ao vivo transmitidas online.
A VIDA no centro. Banda Redonda desfila pelas ruas do Centro nesta segunda-feira. 5 de fevereiro de 2018. Acesse aqui
GALVÃO, Marley. Lésbicas do bloco Siriricando vão às ruas reivindicando protagonismo em SP. CarnaUOL, 24 de fevereiro de 2020. Acesse aqui
MINUANO, Carlos. Primeira a abraçar LGBTs, banda Redonda celebra 45 anos embaixo de chuva. UOL, 26 de fevereiro de 2019. Acesse aqui
OUTRAS REFERÊNCIAS CULTURAIS RELACIONADAS
Atividade Cultural, Carnaval LGBTQIA+