Ficha de referência cultural
Estátua Amor Materno. Fonte: Charles Virion/ Wikimedia
Estátua em mármore com pedestal em granito, representando uma cachorra adulta, com seu
filhote ao lado. A estátua, inaugurada em 1914, sob encomenda de Raimundo Dupret,
então prefeito de São Paulo, não estava originalmente no Largo do Arouche, se
mudando para a região, em data desconhecida durante os anos 1900. Sua
apropriação pela comunidade está relacionada a essa afetividade que existe
entre o ser humano e o cachorro, pois o Largo do Arouche é uma região constantemente
frequentada pelos moradores que são tutores de cachorros e saem para passear com os pets pelo
largo, convivendo e dividindo o espaço com a comunidade LGBTQIA+ que ocupa a região
cotidianamente.
A estátua Amor Materno, feita em mármore apresenta uma cachorra adulta deitada com
pescoço e cabeça eretos com as orelhas atentas, enquanto seu filhote está
deitado ao seu lado, com a cabeça apoiada no tronco da mãe. Foi encomendada pelo
então prefeito da cidade de São Paulo, Raimundo Dupret, em seu projeto de embelezar a
região central da capital, inspirado nos modelos franceses, sendo uma cópia inspirada
na estátua de Charles Virion.
Inaugurada originalmente em 1914 no Anhangabaú, como projeto de embelezar a antiga esplanada
do Theatro Municipal aos moldes franceses, a estátua foi deslocada da região, para dar
lugar a um projeto mais ambicioso e financiado parcialmente pela comunidade italiana, o Monumento a
Carlos Gomes. Dessa forma, em 1922 a estátua deixa o local e é reinstalada no Parque
da Luz, porém novamente, por mudanças neste parque, a estátua migra em data
desconhecida para o Largo do Arouche, voltando a dividir espaço com A Menina e o Bezerro,
estátua da qual também fazia parte do trio que ornamentaram a esplanada do teatro,
entre 1914 e 1922.
Ao longo de sua estadia no Largo do Arouche, a estátua já passou por diversas
depredações, sendo restaurada mais de uma vez, sendo que até mesmo partes da
estátua, como a orelha da cachorra, já foram arrancadas.
Coletivo Arouchianos
A Menina e o Bezerro. Arte Fora do Museu. Acesse aqui
BEIGUELMAN, Giselle. Guia dos Monumentos Nômades. Memória da Amnésia.Acesse aqui
______. Nomadismo e Invisibilidade. Memória da Amnésia.Acesse aqui
Escultura de Animal tem sua orelha arrancada no Centro de SP. Globo G1. 31 jan 2009. Disponível em: Acesse aqui
BRANDÃO, Miriam. Monumento a Carlos Gomes. Demonumenta. FAU-USP.Acesse aqui
WALDMAN, Thais Chang. Entre batismos e degolas: (des)caminhos bandeirantes em São Paulo. 2018. Tese (Doutorado em Antropologia Social) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018. DOI: 10.11606/T.8.2018.tde-10102018-150420.